domingo, 8 de agosto de 2010

SÓ OBSERVANDO!

O padre de uma igreja decidiu observar as pessoas que entravam para orar.
A porta se abriu e um homem de camisa esfarrapada adentrou pelo corredor central. O homem se ajoelhou, inclinou a cabeça, levantou-se e foi embora.
Nos dias seguintes, sempre ao meio-dia, a mesma cena se repetia. Cada vez que se ajoelhava por alguns instantes, deixava de lado uma marmita.

A curiosidade do padre crescia e também o receio de que fosse um assaltante; então decidiu aproximar-se e perguntar o que fazia ali.
O velho homem disse que trabalhava numa fábrica, num outro bairro da cidade e que se chamava Jim.
Disse que o almoço havia sido há meia hora atrás e que reservava o tempo restante para orar, que ficava apenas alguns momentos porque a fábrica era longe dali.
E disse a oração que fazia:
'Vim aqui novamente, Senhor, só pra lhe dizer quão feliz eu tenho sido desde que nos tornamos amigos e que o Senhor me livrou dos meus pecados. Não sei bem como devo orar, mas eu penso em você todos os dias. Assim, Jesus, hoje estou aqui, só observando.'

O padre, um tanto aturdido, disse que ele seria sempre bem-vindo e que viesse à igreja sempre que desejasse.
'É hora de ir' - disse Jim sorrindo.
Agradeceu e dirigiu-se apressadamente para a porta.

O padre ajoelhou-se diante do altar, de um modo como nunca havia feito antes. Teve então, um lindo encontro com Jesus. Enquanto lágrimas escorriam por seu rosto, ele repetiu a oração do velho homem...

'Vim aqui novamente, Senhor, só pra lhe dizer quão feliz eu tenho sido desde que nos tornamos amigos e que o Senhor me livrou dos meus pecados. Não sei bem como devo orar mas penso em você todos os dias. Assim, Jesus, hoje estou aqui, só observando.'

Certo dia, o padre notou que Jim não havia aparecido.
Percebendo que sua ausência se estendeu pelos dias seguintes, começou a ficar preocupado. Foi à fábrica perguntar por ele e descobriu que estava enfermo.
Durante a semana em que Jim esteve no hospital, a rotina da enfermaria mudou. Sua alegria era contagiante.
A chefe das enfermeiras, contudo, não pôde entender porque um homem tão simpático como Jim não recebia flores, telefonemas, cartões de amigos, parentes... Nada!

Ao encontrá-lo, o padre colocou-se ao lado de sua cama. Foi quando Jim ouviu o comentário da enfermeira:
- Nenhum amigo veio pra mostrar que se importa com ele. Ele não deve ter ninguém com quem contar!!

Parecendo surpreso, o velho virou-se para o padre e disse com um largo sorriso:
- A enfermeira está enganada; ela não sabe, mas desde que estou aqui, sempre ao meio-dia ELE VEM! Um querido amigo meu, que se senta bem junto a mim, Ele segura minha mão, inclina-se em minha direção e diz:

'Eu vim só pra lhe dizer quão feliz eu sou desde que nos tornamos amigos. Gosto de ouvir sua oração e penso em você todos os dias. Agora sou eu quem o está observando... e cuidando! '

22 a 27 de janeiro de 2013


Já se encontra em pleno processo a organização do 4° Congresso Missionário Ameri­cano (9° Congresso Missionário Latino-Americano), que será realizado em Maracaíbo (Venezuela), em janeiro de 2013. Transcre­vemos a seguir algumas informações publicadas no Boletim n° 1 de preparação do evento.

Um Congresso Missionário
Um Congresso Missionário é uma reunião, um conjunto de pessoas em marcha missionária, com compromissos concretos em suas respectivas Igrejas locais. São pessoas que se encontram e vivem a graça de estar juntos para partilhar a centralidade de sua fé em Jesus Cristo. São pessoas que se encontram para partilhar experiências missionárias muito variadas e cheias de vida. São pessoas que celebram sua fé com expressões festivas. Possui também uma dimensão de estudos e de formação.
O resultado mais importante, difícil de ser percebido e expresso em toda a sua riqueza, é talvez a graça do encontro, de partilhar e celebrar a fé em comum.


Congressos anteriores
Estes Congressos Missionários continentais têm sido realizados de quatro em quatro anos. Até o momento foram realizados oito Congressos Missionários Latino-Americanos:




* Comla 1, em Torreón (México), em 1977, que teve como lema Missão Universal... Compromisso de Todos. Foi o 7° Congresso Missionário do México, do qual participaram como convidados dois representantes de cada país da América Latina. Percebeu-se a necessidade de passar de somente receber a também dar, da Missão "ad gentes" a partir da América.
* Comla 2, em Tlaxcala (Mé­xico), em 1983, que teve como tema Com Maria... Missionários de Cristo. A participação de todas as Igrejas da América Latina aumentou consideravelmente. A Missão "ad gentes" apareceu como necessidade urgente para nossas Igrejas, com condição de sua própria vitalidade.


* Comla 3, em Bogotá (Co­lôm­bia), em 1987, que teve como lema América, Chegou a Tua Hora de Ser Evange­li­za­dora. Foram dados novos passos importantes em relação ao papel das Igrejas locais na Missão "ad gentes", de pobre a pobre. Descobriu-se que cada Igreja local, ou cada diocese, é a base da atividade missionária da Igreja.


* Comla 4, em Lima (Peru), em 1991, teve como lema América, a Partir de Tua Fé Envia Missionários. O Papa João Paulo II havia publicado recentemente a Encíclica Redemptoris Missio. Esta encíclica foi de grande apoio e enriquecimento para este Comla que quis revigorar a resposta das Igrejas locais na animação missionária e dinamizar a Nova Evangelização.


* Comla 5, em Belo Ho­ri­zonte, MG (Brasil), em 1995, que teve como lema Vinde, Vede e Anunciai. Deu preferência às culturas indígenas e afro-americanas; também deu especial atenção à cultura moderna, especialmente concentrada nas grandes cidades; e tudo isto, visto à luz da Missão universal.

* Comla 6, Paraná (Argen­tina), em 1999, que teve como lema América com Cristo... Sai de Tua Terra. Este Congresso contou pela primeira vez com a participação de delgados do Canadá e dos Estados Unidos, tornando-se assim o 1° Con­gresso Missionário Ameri­ca­no (CAM 1). Apro­fundou-se na ocasião a urgência da evangelização inculturada; o fomento do ecumenismo e do diálogo inter-religioso; a animação missionária na pastoral ordinária; as Pontifícias Obras Missionárias como instrumento prioritário de animação e cooperação missionária.

* CAM 2-Comla 7 (Guate­mala), em 2003, que teve como lema Igreja na América, Tua Vida É Missão! Este Congresso visava "animar a vida das Igrejas particulares do continente a que, a partir de sua experiência evangelizadora, assumissem responsável e solidariamente o compromisso da Missão "ad gentes" (de primeiro anúncio aos povos não cristãos). Em preparação, o Brasil realizou seu 1º Congresso Missionário Nacional.

* CAM 3-Comla 8 (Equador), em 2008, que teve como lema América com Cristo: Escuta, Aprende e Anuncia. Este Congresso procurou evidenciar o essencial na ação da Igreja: discipulado, pentecostes e evangelização. Em preparação, o Brasil realizou seu 2º Congresso Missionário Nacional. No encerramento, foi lançada oficialmente a Missão Continental.

* CAM 4-Comla 9 (Vene­zuela), em 2008, em fase de últimas definições, será realizado na cidade venezuelana de Maracaibo, de 22 a 27 de janeiro de 2013. O tema deverá abordar três linhas-mestras: Missão "ad gentes", pluriculturalidade e secularização, à luz da realidade de sermos discípulos-missionários de Jesus Cristo. Em preparação, estão previstos dois simpósios missiológicos: em janeiro de 2011, em Caracas (Venezuela), e em janeiro de 2012, no Panamá.
(CAM 4-Comla 9, Boletín 1, POM-Venezuela)





AMÉRICA/BRASIL - Curso para sacerdotes no Centro Cultural Missionário coloca as Missões em evidência

Brasília (Agência Fides) – A formação missionária requer hoje uma intensa preparação humana, espiritual, intelectual e prática. Por este motivo, o Centro Cultural Missionário de Brasília (CCM) realizou de 22 a 31 de julho um curso de teologia e espiritualidade Missionária para sacerdotes, com o tema “consagrados e enviados a todos os povos”.
O objetivo deste curso é redescobrir o ministério sacerdotal à luz da perspectiva missionária, reforçar o estudo da teologia e da espiritualidade da missão, para enfrentar as questões fundamentais, aumentar a consciência missionária dos participantes e guia-los a uma prática de evangelização sempre mais inculturada, considerando o horizonte universal.
Segundo o secretário executivo do CCM, Padre Stefano Raschietti, o curso suscitou a redescoberta do ministério sacerdotal na missão de hoje. “A missão se refere à identidade mais profunda do sacerdote; do mesmo modo, a missão se refere à própria essência da Igreja”. Padre Raschietti vê o efeito positivo do Vaticano II na crescente atividade missionária. “Com efeito, o Concílio Vaticano II diz que a Igreja peregrina é missionária por natureza. Não é por acaso que a pratica missionária representa uma dimensão privilegiada no exercício do ministério sacerdotal”.
O secretario nacional da Pontifícia União Missionária e um dos relatores, padre Savio Corinaldesi, explicou aos participantes que o sacerdote é um termômetro da sociedade; por isso, o ele deve sempre se manter motivado, seja na vida como no trabalho missionário. “O Sacerdote não pode se acomodar. Devemos estar sempre acordados, prontos, preparados. Isto significa obter o máximo de nosso trabalho, que é a evangelização e a missionariedade”.
O curso, de 10 dias, teve 15 participantes. O CCM promove cursos de formação missionária em sintonia com a Comissão Episcopal da Pastoral Missionária e a Cooperação Intereclesial; a Comissão episcopal para o ministério ordenado e da vida consagrada; a Comissão Episcopal para a Amazônia, o Conselho Missionário Nacional a Conferência dos Religiosos do Brasil, as Pontifícias Obras Missionárias, a Comissão Nacional dos Sacerdotes e a organização dos seminários e institutos do Brasil.
(CE) (Agência Fides, 03/08/2010)

sábado, 31 de julho de 2010

150 Seminaristas


Pontifícia União Missionária

A formação missionária dos futuros padres é uma das preocupações das Pontifícias Obras Missionárias, do Conselho Missionário Nacional (Comina) e da Comissão Episcopal para os Ministérios Ordenados da CNBB, que promovem, de 4 a 10 de julho, o primeiro Congresso Missionário exclusivamente para seminaristas e formadores dos futuros padres. O Congresso, que terá como local o Seminário Arquidiocesano Nossa Senhora de Fátima, em Brasília, DF, reunirá 150 seminaristas a partir do 3º ano de filosofia e 50 formadores.

A abertura do Congresso será no dia 4, às 19h, com Missa presidida pelo Secretário-Geral da CNBB, D. Dimas Lara Barbosa. "O objetivo do congresso é ajudar os seminaristas do Brasil a assumir a dimensão missionária universal da vocação cristã e presbiteral", explica o Diretor Nacional das Pontifícias Obras Missionárias (POM), Pe. Daniel Lagni.

O Congresso vai discutir o tema Formação Presbiteral para uma Missão sem-Fronteiras. "Por ocasião do Ano Sacerdotal, pareceu-nos oportuno promover um evento que fosse uma avaliação da caminhada feita, e articulação, reflexão, compromisso e avanço, em vista de uma formação presbiteral profundamente missionária", acrescenta Pe. Daniel.

Uma cartilha foi elaborada pelos organizadores do Congresso e deverá ser estudada previamente pelos seminaristas que se inscreveram para o Congresso. Cartazes também foram distribuídos por todos os regionais da CNBB, divulgando o evento.

O evento é organizado pelas Pontifícias Obras Missionárias (POM), e pelo Centro Cultural Missionário (CCM) e pelas Comissões Episcopais para Animação Missionária e para os Ministérios Ordenados, da CNBB.

Mais informações e texto da Cartilha de Preparação disponível para download: www.ccm.org.br.

2010ÁFRICA DO SUL - 47 crianças a cada mil morrem antes de completar um ano de vida, 46% por causa de doenças ligadas à AIDS


A corrida para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (MDG) até 2015 ultrapassou a meta, mas segundo os últimos relatos, África do Sul está longe de reduzir, até essa data, as mortes de crianças abaixo de cinco anos.


O relatório 'Countdown to 2015', grupo internacional que se ocupa do acompanhamento de saúde materno-infantil, indicou a África do Sul como um país que não fez nenhum progresso nos últimos dez anos sobre esta área. Embora a mortalidade infantil tenha diminuído 20% desde 2001, permanecem elevados, com 47 crianças a cada mil que morrem antes de completar o primeiro ano de idade.


Na África do Sul, as mortes diminuíram para 1% ao ano, com 46% de mortes causadas por doenças associadas à AIDS. Das últimas estatísticas do "Statistics South Africa" (Stats SA), uma agência governamental, evidencia que 43% de todas as mortes estão relacionadas com a AIDS. O país tem uma taxa de prevalência de soropositivos de 18%, e segundo uma monitoração, serão outros 410 mil sul-africanos contagiados em 2010, 10% crianças.


FONTE: Agência Fides - 28/07/201

Origem do mês das Missões

O organizador das celebrações do Mês das Missões no Brasil foi o padre Gaetano Maiello, Pime. Nasceu em Bolzano (Itália), em 6 de fevereiro de 1929. Foi ordenado sacerdote em Nápoles (Itália), em 1951. De 1951 a 1959 atuou, entre outras coisas, como secretário do Pe. Paulo Manna (hoje, Bem-Aventurado, fundador da Pontifícia União Missionária).


Atuou no Brasil 25 anos no Brasil. Foi, por 14 anos, missionário em Macapá, AP (1959 a 1970 e 2002 a 2005). Depois de um tempo na Itália, regressou à Missão no Brasil em 1972, onde ficou até 1984.


Trabalhou nas Pontifícias Obras Missionárias, primeiro como Secretário (1973-1976) e depois, "com dedicação e eficiência", como primeiro Diretor Nacional (1976-1983), quando as quatro Obras foram unificadas em uma única instituição e a Sede Nacional transferida para Brasília, DF (1978). Nessa ocasião foi também Assessor da então Linha 2 da CNBB e organizou o Centro Cultural Missionário (CCM/CNBB) em Brasília. Faleceu na Itália, dia 5 de janeiro de 2009.


Em entrevista ao Jornal Missão Jovem, padre Maiello falou sobre a sua atuação em Brasília, quando deu início às celebrações do Mês das Missões (outubro): "Em fevereiro 1972, em Manaus, entrei em contato com os superiores e bispos da Amazônia e, na ocasião, apresentei um projeto nacional de animação missionária universal.


O ano de 1972 foi, com certeza, o ano mais missionário no Brasil. Surgiram os programas Igrejas-Irmãs entre as prelazias do Norte e Nordeste e as Igrejas já mais organizadas do restante do Brasil.


Foram fundados quatro periódicos missionários: Sem Fronteiras (pelos combonianos), Kosmos (pelos xaverianos), Missões (pelos missionários da Consolata) e Mundo e Missão (pelos missionários do Pime). Foi também fundado o Conselho Indigenista Missionário (Cimi/CNBB).


Numa reunião na CNBB, em 7 de agosto, presente o Card. Agnelo Rossi, Prefeito da Congregação da Evangelização dos Povos, apresentei uma proposta detalhada de renovação da Pastoral Missionária no Brasil. A primeira iniciativa concreta foi a organização de um novo programa de celebração do Dia Mundial das Missões, que se transformou no Mês das Missões, com materiais audiovisuais renovados, um opúsculo sobre A Igreja e a Animação Missionária, e outros subsídios.


Antes do início do Mês das Missões, realizamos um encontro nacional de todos os agentes da Pastoral Missionária, presidido por D. Mário Gurgel, da Pastoral Missionária. Foi quando fundamos o Conselho Missionário Nacional (Comina), em seguida reconhecido como organismo da CNBB.


A pedido da Direção Mundial das POM, apresentei, em Roma, a nossa sugestão do Mês das Missões, que foi acolhida e instituída em todas as direções nacionais das POM."


O Dia Mundial das Missões foi instituído pelo Papa Pio XI em 14 de abril de 1926, a pedido dos seminaristas da Arquidiocese da Sardenha, Itália. O primeiro Dia Mundial das Missões foi celebrado em 1927. Em 2010, celebraremos o 84º Dia Mundial das Missões (24 de outubro, penúltimo domingo do Mês das Missões).


Fonte: www.pom.org.br

terça-feira, 13 de julho de 2010

Diálogo do Santo Padre Bento XVI com as crianças da Pontifícia Obra para a Infância Missionária, Sala Paulo VI – sábado, 30 de maio de 2009



Chamo-me Anna Filippone, tenho doze anos, sou ministrante e venho da Calábria, da Diocese de Oppido Mamertina – Palmi. Papa Bento, o pai do meu amigo Giovanni é italiano e a mãe equatoriana, e ele é muito feliz. Pensas que as diversas culturas um dia poderão viver sem entrar em conflito em nome de Jesus?


Compreendi que desejais saber como fazíamos nós, quando éramos crianças, para nos ajudar reciprocamente. Tenho que dizer que vivi os anos da escola elementar numa pequena aldeia de 400 habitantes, muito distante dos grandes centros. Portanto, éramos um pouco ingénuos e nessa aldeia havia, por um lado, agricultores muito ricos e também outros menos ricos mas abastados e, por outro, pobres empregados, artesãos. Pouco antes do início da escola elementar a nossa família chegara a esse povoado vinda de outra cidade, portanto éramos um pouco estrangeiros para eles, e até o dialecto era diferente. Portanto, nessa escola reflectiam-se situações sociais muito diversas entre si. Contudo, havia uma bonita comunhão entre nós. Ensinaram-me o seu dialecto, que eu ainda não conhecia. Colaborámos bem e, tenho que admitir, às vezes naturalmente também discutíamos, mas depois reconciliávamo-nos e esquecíamos quanto tinha acontecido.



Imagens da audiência de Bento XVI
às 7 mil crianças da Obra para a Infância Missionária,
Sala Paulo VI, 30 de maio de 2009
Isto parece-me importante. Por vezes na vida humana parece inevitável discutir; todavia, é sempre importante a arte da reconciliação, do perdão, do começar de novo e não deixar amargura na alma. Recordo-me com gratidão do modo como todos nós colaborávamos: um ajudava o outro e juntos percorríamos o nosso caminho. Todos nós éramos católicos, e isto era naturalmente uma grande ajuda. Assim, em conjunto, aprendemos a conhecer a Bíblia, a começar pela criação até ao sacrifício de Jesus na cruz, e depois também os primórdios da Igreja. Juntos aprendemos o catecismo, juntos aprendemos a rezar e juntos nos preparamos para a primeira confissão, para a primeira comunhão: aquele foi um dia maravilhoso! Compreendemos que o próprio Jesus vem até nós, e que Ele não é um Deus distante: entra na minha própria vida, na minha própria alma. E se o próprio Jesus entra em cada um de nós, somos irmãos, irmãs e amigos, e portanto temos que nos comportar como tais.


Para nós, esta preparação quer para a primeira confissão como purificação da nossa consciência e da nossa vida, quer também para a primeira comunhão como encontro concreto com Jesus que vem ter comigo, que vem ter com todos nós, foram factores que contribuíram para formar a nossa comunidade. Ajudaram-nos a caminhar juntos, a aprender em conjunto a reconciliar-nos quando era necessário. Fazíamos inclusive pequenos espectáculos: também é importante colaborar, prestar atenção uns aos outros. Depois, com oito ou nove anos tornei-me coroinha. Nessa época ainda não havia meninas coroinhas, mas elas liam melhor do que nós. Portanto, eram elas que liam as leituras da liturgia, e nós desempenhávamos a função de coroinhas. Nesse período ainda havia muitos textos latinos para aprender, e de tal modo cada um teve a sua parte de canseiras a assumir. Como disse, não éramos santos: tivemos as nossas discussões, e no entanto havia uma bonita comunhão, onde as distinções entre ricos e pobres, entre inteligentes e menos inteligentes não contavam. Era a comunhão com Jesus no caminho da fé comum e na responsabilidade coral, nos jogos e no trabalho conjunto. Tínhamos encontrado a capacidade de viver juntos, de ser amigos e, embora a partir de 1937, ou seja, há mais de setenta anos, tenha deixado de viver nessa aldeia, ainda permanecemos amigos. Portanto, aprendemos a aceitar-nos reciprocamente, a carregar o peso uns dos outros.


Isto parece-me importante: não obstante as nossas fraquezas, aceitamo-nos uns aos outros e, com Jesus Cristo, com a Igreja, encontramos juntos o caminho da paz e aprendemos a viver bem.




Chamo-me Letizia e queria fazer-te uma pergunta. Querido Papa Bento XVI, o que significava para ti, quando eras menino, o mote: “As crianças ajudam as crianças”? Alguma vez pensaste em tornar-te Papa?


Para dizer a verdade, nunca pensei que viria a ser Papa porque, como já disse, fui um menino bastante ingénuo, numa pequena aldeia muito distante dos centros, numa província esquecida. Éramos felizes por viver nessa província e não pensávamos noutras coisas. Naturalmente, conhecíamos, venerávamos e amávamos o Papa — era Pio XI — mas para nós estava numa altura inalcançável, quase noutro mundo: um nosso pai, e no entanto uma realidade muito superior a todos nós. E devo dizer que ainda hoje tenho dificuldade em compreender como o Senhor pôde pensar em mim, destinar-me para este ministério. Mas aceito-o das suas mãos, embora seja algo surpreendente e me pareça muito além das minhas forças. Contudo, o Senhor ajuda-me.




Amado Papa Bento, sou Alessandro. Queria perguntar-te: tu és o primeiro missionário; como podemos nós, crianças, ajudar-te a anunciar o Evangelho?



Imagens da audiência de Bento XVI
às 7 mil crianças da Obra para a Infância Missionária,
Sala Paulo VI, 30 de maio de 2009




Diria que um primeiro modo é o seguinte: colaborar com a Pontifícia Obra para a Infância Missionária. Assim fazeis parte de uma grande família, que difunde o Evangelho no mundo. Assim pertenceis a uma rede grandiosa. Vemos aqui como se reflecte a família dos diversos povos. Vós estais nesta grande família: cada um desempenha o seu papel e, em conjunto, todos vós sois missionários, portadores da obra missionária da Igreja. Tendes um bonito programa, indicado pela vossa porta-voz: ouvir, rezar, conhecer, compartilhar e solidarizar. Estes são os elementos essenciais que realmente constituem um modo de ser missionário, de dar continuidade ao crescimento da Igreja e à presença do Evangelho no mundo. Gostaria de ressaltar alguns destes pontos.


Em primeiro lugar, rezar. A oração é uma realidade: Deus ouve-nos e, quando oramos, Deus entra na nossa vida, torna-se presente e operante no meio de nós. Rezar é algo muito importante, que pode mudar o mundo, porque torna presente a força de Deus. E é importante ajudar-se no acto de rezar: oremos juntos na liturgia, rezemos em conjunto na família. E aqui diria que é importante começar o dia com uma pequena oração e, depois, terminar o dia também com uma pequena prece, recordando os pais na oração. Rezar antes do almoço, antes do jantar e por ocasião da celebração coral do domingo. Um domingo sem Missa, a grande oração comum da Igreja, não é um domingo verdadeiro: falta precisamente o coração do domingo, e assim também a luz para a semana. E podeis ajudar também os outros — de modo especial quando em casa, talvez, não se reza, não se conhece a oração — ensinando os outros a rezar: orar com eles e desta forma introduzir os outros na comunhão com Deus.


Depois, ouvir, ou seja, aprender realmente o que Jesus nos diz. Além disso, conhecer a Sagrada Escritura, a Bíblia. Na história de Jesus aprendemos — como o Cardeal disse — o rosto de Deus, aprendemos como é Deus. É importante conhecer Jesus profunda e pessoalmente. Assim Ele entra na nossa vida e, através da nossa vida, entra no mundo.


E também compartilhar, não desejar as coisas unicamente para nós mesmos, mas para todos; dividir com o próximo. E se virmos outra pessoa que talvez tenha necessidade, que seja menos dotada, temos que a ajudar e assim tornar presente o amor de Deus sem grandes palavras, no nosso pequeno mundo pessoal, que faz parte do grande mundo. E desta maneira tornamo-nos em conjunto uma só família, onde todos se respeitam: suportar o outro na sua alteridade, aceitar precisamente também os antipáticos, não deixar que alguém seja marginalizado, mas ajudá-lo a inserir-se na comunidade. Tudo isto quer dizer, simplesmente, viver nesta grande família da Igreja, nesta grandiosa família missionária. Viver os pontos essenciais como a partilha, o conhecimento de Jesus, a oração, a escuta recíproca e a solidariedade é uma obra missionária, porque ajuda a fazer com que o Evangelho se torne uma realidade no nosso mundo.