quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

ÁFRICA/EGITO - "Passarei o Natal com os meninos do bairro dos coletores de lixo", disse Pe. Verdoscia




"Eu estou na loja, com os meus colaboradores, para escolher as roupas a serem distribuídas às crianças no dia de Natal"- disse à Agência Fides Pe. Luciano Verdoscia, missionário comboniano que trabalha há anos em Mansheya, o bairro dos coletores de lixo (chamados de "Zabbaleen"). "Eu e minha associação acompanhamos cerca de 650 crianças, dando-lhes uma educação e uma pequena ajuda financeira", explica o missionário.

Sobre a situação social do Egito, Pe. Luciano lembra que em 23 de dezembro, "realizou-se o protesto contra a violência contra as mulheres, que danificou a imagem do Exército. No dia 22, em outra praça no Cairo, realizou-se uma manifestação a favor do exército. No entanto, é bom ter em mente que o Exército tem uma força numérica considerável: basta dar ordens aos seus membros de enviarem suas famílias para as ruas e as ruas se enchem".

"A população está um pouco confusa", prossegue Pe. Luciano, "mas, ao mesmo tempo, as pessoas continuam suas atividades. O protesto está concentrado apenas em alguns lugares específicos, começando pela Praça Tahrir. Em suma, a situação é muito mais complexa do que parece. Agora desculpe-me, mas devo sair porque tenho de terminar de descarregar os pacotes", concluiu o missionário.

FONTE: Agência Fides - 23/12/2011

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Mãe África, preciso partir...

Antes de partir quero me despedir e não sei bem como. Quando comecei organizar a mala, entregar pastas, rever documentos das paróquias, fotos, anotações pessoais e mensagens das comunidades, me veio no coração palavras de gratidão.
Agradeço-te mãe áfrica que a mim se mostrou no seu realismo, diverso da visão romântica dos safáris e dos programas turísticos. Convivi com uma parcela muito pequena de teus filhos e filhas do imenso continente. Particularmente a mim você se mostrou no povo mackua do norte Moçambicano. Gente simples e resistente que trabalha na machamba (roça) e caminha diariamente a procura de água para beber, cozinhar e tomar banho.
Alegrei-me quando a mim se revelou na imensidão de crianças que andam e brincam em grupos. Também cansei de tanto ser olhado e admirado por elas em toda parte. Com elas brinquei e quebrei protocolos da oficialidade das visitas nas comunidades. Elas fazem parte da tua fecundidade e riqueza. Peço aos teus filhos adultos que as considere melhor, organizando esteiras para sentarem nas celebrações e tratando-as com igualdade na hora de comer e vestir.
Surpreendi-me com o universo juvenil de teu povo. São eles pai ou mãe de muitos filhos e até mesmo avó e avô dizendo-se jovem, dançando, cantando e rezando como tal. Foram muitas partilhas, formações e descobertas. Seus cânticos, danças e batuques dão vida às liturgias e festas. 
Admirei-me vendo tuas filhas indo para machamba (roça) vestidas de coloridas capulanas, carregando seus filhos nas costas e trazendo pote de água ou lenha na cabeça. Elas expressam a luta cotidiana do teu povo em busca de sobrevivência. Há um longo caminho a percorrer para sua promoção e inclusão social. Elas ainda são na realidade um grito silencioso por liberdade.
Com teu povo vive as dores da malária que mata multidões pelo frágil sistema de saúde. Aqui a média de vida do teu povo é 40 anos. As doenças que mais matam já têm cura em outros países, mas teus filhos não tem acesso. Morrem sem saber a causa.
Com tuas pequenas comunidades ministeriais, me encantei, rezei, celebrei sacramentos, dancei, silenciei, dormi em tuas palhotas, nas esteiras e nas camas de corda. Nada me faltou. Mas com elas também me decepcionei pela fragilidade em fazer dos ministérios, cargos e cadeiras de poder. É verdade que teus filhos sofreram e sofrem influências de todo lado: do colonialismo português, das guerras, das ideologias importadas, do tribalismo e do regime atual de governo que fazem de ti o que na origem não és. Contudo, mesmo nas minhas decepções, ainda te vejo hospitaleira, simples, mística, acolhedora da palavra de Deus e aberta ao Espírito.
As lideranças mais velhas me dizem que as comunidades eram mais evangélicas naquele tempo de perseguição e guerra. Escondidas, rezavam no mato sem poder acender fogo para que o inimigo não lhe descobrisse. Teus filhos andavam mais a pé em busca da palavra e da eucaristia. Eram poucos os teus ministros ordenados e te manteves na fé pascal que formou muitas comunidades. Agora teus sonhos estão a mudar. Os cristãos pensam em te cobrir com chapas de zinco, dizendo que a palha dá muito trabalho. Algumas de tuas igrejas já levam nome do dono, deixando de ser comunidade cristã que se constrói na liberdade e na participação de todos.
Pois é mãe áfrica, “o progresso” com suas contradições, chegou a ti. As caminhadas a pé deram lugar às bicicletas e hoje as motos viraram sonho de consumo dos camponeses. A quem já se divorciou depois que comprou motorizada. A cultura dominante já entrou pela música, novelas, roupas, plástico e modas. Tuas vilas com energia elétrica esbanjam invasão capitalista. Tuas feiras nos interiores são pequenos mercados globais. Tuas florestas, teus minérios e tuas riquezas naturais viraram mercadoria para os países ricos. Tua madeira é levada em toneladas diariamente pelos chineses.
Conheci pouco de tua religião tradicional. Mas sei de sua influência no coração do povo. Penso que há valores e limites nela. Pode promover vida, mas também pode levar ao medo, a morte e a opressão dos teus filhos. Há histórias dos que conseguiram a cura e também dos que já morreram nas mãos de feiticeiros que usam drogas e venenos.
Mãe áfrica, uma voz grita no teu deserto. Tuas crianças, jovens, homens e mulheres, velhos, reis e camponeses estão a gritar por justiça, paz, comida, acesso a água, educação e saúde.
Confesso que em 2008 atravessei oceanos com a missão de te evangelizar. Espero que nestes anos te ajudei na construção do Reino de Deus.  Mas creio também que você me evangelizou, me acolheu e amadureceu meu coração de pastor. Agradeço pela paciência que teve comigo. Nestes anos carreguei um tesouro em vasos de barro. Por isso, peço desculpas pelos meus erros.
Finalizo expressando que fui muito feliz com teu povo nesta missão, não sei se da mesma forma eles foram felizes com minha presença. Mãe África, chegou meu tempo de partir com o coração agradecido. Obrigado (Kochucuro). Já vou (Korroa).
Pe. Maurício da Silva Jardim
Dezembro de 2011.

Missionários estrangeiros visitam a sede das POM


Os 12 missionários do Centro de Formação Intercultural (Cenfi) edição 106 de iniciação à missão no Brasil para missionários do exterior, do Centro Cultural Missionário (CCM), visitaram na tarde desta quarta-feira, 14, a sede das Pontifícias Obras Missionárias (POM) em Brasília.

Na ocasião, o diretor nacional da organização, padre Camilo Pauletti, juntamente com o secretário da Pontifícia Obra da Propagação da Fé e Juventude Missionária, padre Marcelo Gualberto, apresentaram as instalações da sede, os fundadores das quatro Obras Missionárias e a essência dos trabalhos missionários desenvolvidos pelas POM.
O Cenfi consta de três propostas básicas: uma aprendizagem sistemática da língua portuguesa; um estágio em casas de família; uma introdução articulada sobre a sociedade, as culturas e a caminhada da Igreja no Brasil. Seu objetivo é uma primeira introdução, interação e acompanhamento do missionário estrangeiro à realidade brasileira. Nesse período, além da escola, da formação, da convivência, dos eventos, dos momentos de lazer e de espiritualidade, acontece também o intercâmbio entre os participantes.

Os missionários do Cenfi 106 são de Gana, Itália, Nigéria, México, Filipinas, Vietnã, Polônia, Honduras, Eslováquia, Paraguai e Alemanha. O curso teve início no dia 25 de setembro e encerra no próximo dia 22.

Formação missionária para Comidis e Comipas já tem data marcada

Em fevereiro, entre os dias 17 e 21, as forças missionárias concentradas nas dioceses e paróquias, os chamados Conselhos Missionários Diocesanos (Comidis) e Conselhos Missionários Paroquiais (Comipas) têm um encontro marcado no Centro Cultural Missionário (CCM) em Brasília. A formação é destinada a coordenadores e animadores desses conselhos.
“Os Encontros de Formação Missionária para coordenadores e animadores de Comidis e Comipas, são um momento único de animação, debate e troca de experiências em nível nacional, e têm por objetivo fortalecer a articulação dos organismos missionários, bem como fornecer instrumentos básicos para que a animação missionária aconteça em maneira eficaz em todas as dioceses e paróquias do país”, afirmou em carta às lideranças missionárias o presidente do Conselho Missionário Nacional (Comina) e da Comissão Episcopal para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Sérgio Braschi.
Com conteúdo programático destinado principalmente para coordenadores iniciantes nos Comidis e Comipas, a formação visa também levar o público-alvo a “aprender a ver a realidade do mundo além de nossas fronteiras; aprender a redescobrir, cultivar e assumir a dimensão universal da missão, como discípulos missionários sem fronteiras; aprender a articular Comidis e Comipas para uma animação missionária autêntica e eficaz e, por fim, a aprender a formar-nos numa espiritualidade da ação missionária (cf. DAp 284), com coração aberto a todas as culturas e a todas as verdades, cultivando a capacidade de contato humano e diálogo”, conforme prevê o Documento de Aparecida (DAp).
A formação é promovida pelas Pontifícias Obras Missionárias (POM), pelo CCM e pela Comissão Episcopal a Ação Missionária. As inscrições já podem ser efetuadas no site www.ccm.org.br. Mais informações pelo telefone (61) 3274.3009.

sábado, 17 de dezembro de 2011

ÁSIA/MALÁSIA - Cantos natalinos nas casas somente "se autorizados pelas forças de segurança": protestos dos cristãos

Kuala Lumpur (Agência Fides) - Duas igrejas em Klang, um subúrbio de Kuala Lumpur, receberam uma nota em que pede nomes e detalhes das pessoas que cantam cantos natalinos (os tradicionais "carols") porque, segundo os oficiais, é necessária uma autorização prévia das forças de segurança para poder executa-la nas igrejas e casas. Como observam as fontes locais de Fides na comunidade cristã, os fiéis definem tais pedidos "absurdos e inadmissíveis". O jesuíta Pe. Lawrence Andrew, Diretor da revista semanal diocesana "Herald" explica Fides: "Trta-se de uma interpretação restrita das normas existentes sobre o exercício da atividade de culto e da liberdade religiosa. A polícia está em confusão total. Depois dos protestos dos cristãos, representantes do Governo desmentiram a necessidade de tais autorizações". 
Numa nota enviada a Fides, Dom Paul Tan Chee Ing, Bispo de Melaka-Johor e Presidente da Conferência Episcopal, afirma que tais restrições transformariam o país "quase num estado de polícia", se os agentes continuam a pretender "tais requisitos burocráticos".
Fontes de Fides veem motivos políticos e eleitorais por trás de episódios desse tipo. O primeiro ministro Najib Kazak tinha aumentado as esperanças da sociedade civil sobre o início de uma nova era de reformar, com a sua decisão de anular uma série de leis muito odiadas, como a lei sobre a segurança interna (ISA), introduzida pela Malásia depois da independência da Grã Bretanha em 1957. A lei permite a detenção sem processo e limita a imprensa e aos direitos de reunião. O documento, come prometido pelo Governo, deveria ter sido substituído por uma nova lei em 2011, criada para regularizar a Malásia com as leis internacionais. O governo, observam as fontes de Fides na Malásia, se pronunciaram em tal sentido para acalmar a população, depois das manifestações nas ruas do movimento "Bersih 2.0" (que significa "limpeza"), realizadas em Kuala Lumpur em julho passado, que pediam "transparência e direitos". 
Um novo projeto de lei denominado "Peaceful Assembly Bill", que regula o exercício do direito de reunião e manifestações, aprovado nas semanas passadas pela Câmara Baixa do Parlamento, atribui, ao invés mais poderes de controle preventivo ao executivo e autoridades de polícia e isso causou protestos na sociedade civil e também entre as minorias religiosas, reunidas no "Malaysian Consultative Council of Buddhism, Christianity, Hinduism, Sikhism and Taoism". A medida especifica expressamente que "os lugares onde não podem se reunir são também lugares de culto". Segundo Teresa Mok, secretária nacional do Partido de Ação Democrática, as novas regras são "um abuso de poder por parte das autoridades" e "uma tentativa de violar a liberdade religiosa". (PA) (Agência Fides 15/12/2011)

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

ÁSIA/ÍNDIA - A cada hora no país desaparecem 11 crianças, que são vendidas como escravos

Nova Délhi (Agência Fides) - Na Índia, a cada hora desaparecem onze crianças, vítimas do fenômeno do tráfico de seres humanos, muito difundido no país. Segundo um relatório apresentado na capital, Nova Délhi, pela Organização não-governamental Bachpan Bachao Andolan e baseado nas denúncias apresentadas pelos pais de 2008 a 2010, constam desaparecidos 117.480 menores, a maior parte nas grandes cidades de Mumbai, Calcutá e Nova Délhi, onde são vendidos às famílias ricas para trabalhar como domésticos, escravos nas indústrias ou escravos sexuais, em empresas que administram ou para pedir esmolas. Como já denunciado por outros grupos que se ocupam da defesa dos Direitos Humanos, o aumento do bem-estar econômico nas cidades favoreceu a proliferação de alguns males sociais, entre os quais justamente o pedido de "pequenos escravos" para trabalhos domésticos. O fenômeno é especialmente grave na capital indiana, onde em 2011 desapareceram 1.442 crianças. Segundo o responsável por Bachpan Bachao Andolan, existem ainda muitos casos de resistência para denunciar os desaparecimentos. A Ong se dedica também à libertação dos menores operários explorados nos trabalhos artesanais em Nova Délhi. (AP) (14/12/2011 Agência Fides)

AMÉRICA/PARAGUAI - Libertadas cerca de cem crianças obrigadas a trabalhar

Assunção (Agência Fides) - Cerca de cem menores forçados a trabalhar nas ruas foram libertados pelas autoridades durante a celebração da festa da Virgem de Caacupé, Padroeira dos fiéis católicos do Paraguai. A maioria deles, entre 5 e 13 anos de idade, era obrigada por seus pais a trabalhar. Dentre estas crianças foram também identificados cinco indígenas. As crianças trabalhavam na venda de bebidas alcoólicas, brinquedos, roupas e velas. Cerca de cinqüenta deles foram transferidos para um centro de acolhimento para menores, outros foram entregues às suas famílias, que têm a obrigação de apresentar-se periodicamente diante do procurador. (AP) (14/12/2011 Agência Fides)