sábado, 2 de março de 2013

Teólogo aponta os sujeitos da missão e da missiologia


   
O 2º Simpósio de Missiologia que acontece no Centro Cultural Missionário em Brasília (DF), concentrou os debates nesta quinta-feira, 28, na teologia da missão. O tema foi abordado pelo teólogo redentorista, Márcio Fabri dos Anjos, membro da Equipe de Reflexão Teológica da CRB.
O assessor procurou responder a duas perguntas, que segundo ele são fundamentais para pensar a missão hoje: quais os sujeitos da missão e se, a partir da caminhada da Igreja do Brasil é possível a criação de uma Associação de Missiólogos e Missiólogas.
 
Sobre os sujeitos da missão, Márcio Fabri recordou alguns filósofos e teólogos que ajudam na reconstrução dos conceitos de sujeitos em vista de uma ação missionária mais eficaz. Ressaltou que os sujeitos humanos a partir da sua história afetiva, pscico-social e cultural trazem consigo as suas verdades, o que ele chamou de “veridicções”. No exercício da missão aquele que vai, leva consigo esses “veredictos” que podem se tornar opressão ao outro. “Como evitar que as minhas ‘veridicções’ se tornem opressoras?”, perguntou.
“O encontro como o outro sujeito, ser vivo e semelhante, interpela sobre o sentido da missão e o objetivo de suas tarefas. Entre possibilidade ou ameaça, problema ou solução, ajuda ou clamor por ajuda, estão diferentes sujeitos o que significa encruzilhadas éticas para as tarefas da missão”, disse.
Para Márcio, a missão é oferta diante do clamor e procura. Ela significa um sair de si em busca do outro, em busca de vida. “Se olhamos a figura dos discípulos veremos pessoas sempre em busca, como por exemplo, Zaqueu que vai em busca de quem pode lhe oferecer algo. A dimensão da missão como oferta e como procura subsidia a missão como diálogo inter-religioso. A interação com o outro é alimento para nós”, relatou.
O assessor chamou a atenção para dois elementos: o sujeito da missão e os sujeitos na missão. Segundo ele, quando se fala em sujeito da missão se refere à iniciativa e a iniciativa primeira foi de Deus. Ele é o Sujeito por excelência da missão, pois é Ele quem quis vir até a humanidade e iniciar processos de salvação.
A continuidade de Deus na história, afirma, se dá pelo fato de Ele querer associar os seres humanos a esta obra e é a presença deste Divino que torna o homem e a mulher missionários/as.
Os sujeitos na missão hoje são marcados pela diversidade e pela pluralidade, o que se torna um grande desafio para o missionário. “É preciso ter consciência de que como sujeitos na missão somos sempre discípulos/as. Ao sairmos de nós próprios em missão continuamos sendo aprendizes, não somos os donos da verdade e podemos aprender na própria ação missionária”, concluiu.
Associação de Missiólogos
Padre Márcio encerrou sua fala ressaltando a força da missiologia para uma teologia mais fecunda. Em sua opinião, missiólogos e missiólogas podem ajudar na formulação teórica sobre a missão, por isso sugeriu pistas para a criação de uma Associação de missiólogos no Brasil.
“Uma Associação eficiente e eficaz que responda aos sinais dos tempos na Igreja do Brasil, é necessário alguns elementos: membros com critérios de pertença, direitos e compromissos; metas e meios; uma estrutura organizacional, elaboração de estatutos, etapas, metas e cronogramas”.
O 2º Simpósio de Missiologia iniciou dia 25 e encerra suas atividades na manhã desta sexta, 01 de março.
Fonte: CRB Nacional

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